EDITORIAL por Sergio K. Augusto



A TRIAGEM NA ERA DO YOU TUBE

É incrível que em plena era dos vídeos (profissionais ou caseiros), do You Tube e tantos outros sites onde se postam clips, nenhum festival de competição faz a triagem das músicas através de vídeos. Quer melhor forma de avaliar um candidato do que vendo como ele se sai no palco? Quer melhor meio de sentir a música e como ela chega ao espectador do que vendo a performance do artista através de imagens? Ora...Por que não acabar com as decepções na hora do evento? Uma das maiores reclamações que ouvi dos organizadores de festivais pelos anos que rodei por aí, é que no dia da apresentação o artista toca no palco uma coisa totalmente diferente do que mandou em cd quando se inscreveu. Sem dúvida que podem acontecer imprevistos, como uma doença repentina do intérprete, ou coisa do tipo, mas mesmo assim, se a triagem for baseada num vídeo é mais fácil para o produtor do evento encaixar a canção no contexto do espetáculo. E por falar em espetáculo, esta forma de triagem em vídeo, mesmo que seja complementar, dá base ao diretor do “show” (pois é assim que entendo o festival: um show) de montar uma ordem que seja agradável ao público, intercalando as músicas com performance do tipo “violão e voz”, com outras mais pesadas, formadas por banda, por exemplo, não deixando assim a platéia entediada.

É claro que por de trás dessa idéia de selecionar os concorrentes através de vídeos, existe um “vão” imenso entre a realidade e a ficção. Poderão dizer os pessimistas costumeiros (os “Lippy e Hard” da vida... “ó vida, ó dor, ó azar”) que não tem como fazer um vídeo, pois custa caro produzir um clip e que câmeras custam os olhos da cara, e por aí vai...Mas não estou falando de grandes produções...Hoje um simples celular pode gravar vídeos com boa qualidade. O vídeo seria como um complemento da inscrição, que enviado juntamente com a música em CD ou MP3, proporcionaria uma melhor avaliação da obra e do interprete pela comissão de triagem. Além do que seria uma forma bem interessante de avaliar “novas caras” que as vezes não tem oportunidade de participar dos festivais, pois muitas vezes os organizadores preferem (como medo errar) a turma de sempre  , pois já conhecem suas formas de apresentação.  

Fica aí mais essa dica aos organizadores para que amadureçam essa idéia e modernizem seus eventos.  
Quem vai ser o pioneiro?    
 

SERGIO K AUGUSTO – Músico, produtor e criador do site Festivais do Brasil.
REVISÃO - THIAGO AUGUSTO

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