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CRIAÇÃO BÁSICA DE UM FESTIVAL

 

-Da estrutura

O primeiro passo para a criação de um festival, especialmente numa cidade de pequeno- médio porte é o apoio do poder público, seja ele vindo de casas de cultura, secretaria municipal e/ou fundações culturais , etc pela simples razão de que a estrutura básica de um festival ou eventos culturais em geral, necessitam de alguns itens que somente a prefeitura pode dar , como por exemplo o local para o evento, alojamentos e alimentação (que podem ser escolas municipais e as próprias cozinhas que servem os funcionários públicos), alvarás, prêmios em dinheiro (que podem vir da verba do município destinado a cultura) , e assim por diante. Sem contar a adequação das datas, para que um mesmo evento não coincida com outro.

Sem esta estrutura, o festival pode estar destinado ao fracasso e conseqüentemente ao prejuízo de todos. Existem exceções, como por exemplo, o Projeto Alpha , de Rio Claro, ou o festival de Boa Esperança (MG), e alguns outros poucos,  que não dependem de verbas públicas por se tratarem de clubes particulares e/ou fundações filantrópicas,mas isso são raras exceções.

-O som e o local

Normalmente o som é locado. Poucas prefeituras possuem equipamento de som próprio. E quando possuem, na maioria das vezes não são adequados para festivais, onde são necessários vários microfones, amplificadores de palco, várias caixas de retorno, uma mesa de som com muitos canais, tanto para o retorno, como para a frente , um bom P A que são as caixas que o público vai ouvir, enfim a locação é o melhor caminho. Deve-se tomar cuidado em relação a empresa que vai se contratar . Muitas nunca trabalharam com festivais e acabam não tendo a devida”paciência” para os longos ensaios (passagem de som)  e a constante troca de instrumentos e intérpretes, uma vez que cada concorrente tem um instrumento diferente, de outra marca e/ou timbre diferentes e obviamente cada cantor tem sua “pegada” particular. O técnico precisa saber que os festivais são diferentes dos bailes, onde se regula o som na primeira ou na segunda música e não vai mais ter trabalho. No festival cada música requer uma atenção especial e personalizada. A locação de um bom som sai entre 5 e 10 mil reais variando para mais ou para menos dependendo do local e se vai haver shows de abertura ou encerramento. Com exceção para mega eventos onde o som precisa ser muito grande.    Quanto ao local, não há muito que se acrescentar, apenas que seja confortável a todos e dentro das normas técnicas de segurança e higiene.

-O regulamento e as inscrições.

Cada festival procura adequar o regulamento a sua realidade. A espinha dorsal de um regulamento bem construído de baseia poucos fatores, porém fundamentais. Todos iniciam o texto dizendo que o objetivo do evento é “revelar novos talentos”, mas que sabemos é que a maioria dos participantes dos festivais não são novos, nem na idade, nem na carreira. Tratam-se de bons artistas (muitos oriundos dos bailes e da noite) que procuram espaço para suas composições e , por que não dizer , viver financeiramente delas. Isso não é pecado, pelo contrário é saudável e se bem direcionada, cria um mercado de trabalho para os músicos, mas o objetivo principal do festival para o organizador deve ser “a produção de boa cultura e entretenimento para sua cidade e região, bem como a valorização dos artistas locais e por fim a integração dos mesmos com os artistas vindos de outra cidades e regiões para o crescimento artístico de ambos”. Este sim é o papel do produtor cultural.

A) Ineditismo -

Outro item polêmico é a questão do ineditismo das canções.

A música que foi premiada em outros festivais não pode ser considerada uma ameaça, mas sim uma referência de qualidade. Trazer uma canção para o seu festival que já foi premiada em outros festivais deve ser uma honra para o evento, bem como seu intérprete e compositor. É um sinal de que a triagem foi bem feita e que a fez tem competência para detectar uma canção que se sobressai perante outras. Muitos podem acusar a organização de favorecimentos, mas o bom organizador de festivais está atento para o resultado de outros festivais e novas idéias e ações benéficas dos outros colegas que também organizam festivais para a evolução e melhora dos eventos. Deve ser considerada “não inédita a música que já tenha sido gravada comercialmente, ou seja ”CDS AUTORAIS COM TIRAGEM INDUSTRIAL”  . Cds de Festivais, feiras, mostras e coletâneas não devem ser considerados Cds comerciais.  Outros itens do regulamento devem ser dirigidos a estrutura e a ordem do evento , como datas , divulgação dos finalistas, premiação, horários de ensaio,etc

B) A qualidade das gravações

A era digital trouxe ao mundo das comunicações inúmeros avanços, como a internet, celulares, digitalização de imagens, sons, etc.. Na música em especial, a facilidade e baixo custo de se gravar em casa com qualidade e fazer cópias dos nossos próprios Cds causou uma verdadeira revolução mundo do entretenimento e atingiu em cheio os festivais. As antigas fitas cassetes com chiado e má qualidade (muitas com cachorros latindo ao fundo, ou carros buzinando) deram lugar aos Cds o que melhorou sensivelmente a avaliação das músicas pela comissão de triagem. Hoje, onde os grandes festivais recebem uma média de 1000,1200 inscrições, os artistas concorrentes devem ter em mente que uma boa gravação é fundamental para que a musica seja bem avaliada e consiga ser selecionada para a competição. Os festivais devem exigir que a música seja enviada em CD . Isto estimula o artista a investir no seu trabalho, gravando suas canções com qualidade e no formato CD. Isto ajuda muito na triagem e a boa gravação pode até ser aproveitada para compor um possível CD do Festival (como é feito em alguns festivais, como a FAMPOP de Avaré- SP, onde o CD sai antes do festival).

C)Taxa de inscrição

Este é um item delicado. Alguns organizadores a entendem como receita para compor o orçamento. O que não é errado desde que cobrada com bom senso. Comprovadamente a não cobrança da taxa entope ao triagem de coisas horrorosas e sem critério. Um mesmo artista as vezes manda 10 , 15 músicas “pra ver se alguma entra”, mas isso não funciona. Não cobrar taxa de inscrições apenas dificulta o trabalho da triagem. Alguns festivais deixam de cobrar apenas porque querem que seus festivais sejam os que maior número de inscrições possuem, mas acabam não tendo tempo hábil de ouvirem todas as músicas que foram inscritas, o que é desonesto. Se o organizador tem tempo (e estrutura) para ouvir (mas ouvir mesmo) tudo e não necessita dessa receita para compor o orçamento do evento pode não cobrar a taxa. Outra estratégia pode ser não cobrar a taxa nos primeiros 15 ou 20 dias do início das inscrições e depois desse período passar a cobrar. Isso faz com que os interessados se inscrevam rapidamente para não ter que pagar a taxa e não deixem pra última hora. Isso também desafoga a triagem.   Os artistas experientes não enviam diversas músicas. Focam a atenção em uma ou duas músicas com mais chances de serem classificadas. Uma taxa de inscrição de bom senso não deve ultrapassar os 10 reais por música

D) O envolvimento da comunidade

Normalmente as músicas de fora são mais bem cuidadas e “testadas”, obviamente porque seus autores e intérpretes são na maioria profissionais e freqüentam vários outros festivais e possuem, portanto mais experiência. Mesmo que a maioria das melhores  músicas venham de fora , procure sempre acoplar as estas de fora,  músicas locais para incentivar os artistas da terra, criando categorias como “melhor música da cidade”, e/ou “melhor intérprete local”, etc. Envolva a comunidade no evento. Isso pode ser garantia de bom público presente, além de se criar uma motivação aos artistas da cidade.Um bom exemplo , foi o do Festival de Avaré, que “convocou ” turmas das escolas municipais para “adotarem uma música”  e fazerem um trabalho sobre o seu conteúdo valendo pontos na nota, além de terem que torcer por esta música no dia do festival. Foi um verdadeiro sucesso, pois quando os artistas de fora se apresentavam, os alunos os surpreendiam cantando com eles a musica adotada.

E) Recebimento das músicas

A forma tradicional de se inscrever num festival sempre foi pessoalmente ou via correio. No entanto uma forma mais prática e barata vem sendo adotada por alguns festivais, que é o recebimento via internet através de arquivos Mp3. É um modo simples e que a maioria dos músicos conhece (ou sabe alguém que conhece) e que elimina os custos de sedex (que são altos). Esta forma de recebimento pode ser gerenciada por qualquer webdesign habituado na construção de sites, ou pelo departamento de informática da prefeitura e/ou fundação, etc. Só para citar um exemplo, realizo a três anos esse serviço para alguns festivais e no ano passado recebi via internet mais de 300 músicas para o Festival de Avaré. Após o recebimento converti as músicas para o formato Cd, todos numerados e enviei a comissão de triagem. O site festivais do Brasil realiza este serviço.

-A Divulgação

Este talvez já foi um dois pontos mais difíceis para os organizadores, antes da era digital que a internet nos proporciona atualmente. A malas diretas impressas são caras e não muito eficazes devido ao grande número de correspondências que retornam devido as pessoas que mudam de endereço, etc, além de abrangerem apenas as pessoas que já participam de festivais e não novos interessados. Quando criamos o site www.festivaisdobrasil.com.br não tínhamos a noção de que ele se tornaria uma ferramenta tão poderosa na parte de auxílio aos organizadores. Hoje a grande maioria dos participantes dos festivais visitam o site e através dele tomam conhecimento dos eventos e acabam por divulga-los aos colegas que ainda não possuem acesso a internet. Segundo organizadores que nos contatam, não vale a pena divulgar o festival por mala direta impressa e via correio. A divulgação via internet tem custo infinitamente inferior e eficácia 1000 vezes maior.  Criar um site do festival também ajuda muito na divulgação e perpetua o evento, mostrando a história do festival, músicas anteriormente premiadas, fotos, etc, alem de proporcionar ao interessado, informações sobre a cidade, restaurantes, locais turísticos e muito mais. 

-Premiação e ajuda de custo

O que atraí os artistas é obviamente a premiação, as condições de alojamento e refeições e a ajuda de custo para deslocamento. Quanto melhor forem esses itens , mais pessoas o festival vai atrair. O organizador não deve se esquecer de que o festival é um show e os protagonistas devem ser bem recebidos e tratados com dignidade. Oferecer refeições simples aos artistas é muito barato e cria aquela confraternização na hora do almoço onde rolam os papos, as canjas, as parcerias, etc. Oferecer um alojamento limpo e com colchonetes,e cobertores é uma questão de boa vontade e não dinheiro. A roupa de cama deve ser trazida pelo participante. Quanto aos prêmios, muitos organizadores preferem apostar num 1° Lugar alto e o resto que se dane. Só pra dizer que seu festival é o dá o maior premiação. Pode ser uma boa jogada de marketing ,mas o ideal são mais prêmios menores , porém  mais aproximados e se possível uma ajuda de custo para o transporte e pequenas despesas de viagem.

SERGIO K. AUGUSTO – Oferece produção musical e assessoria para a organização e direção de festivais , bem como divulgação dos mesmos no site www.festivaisdobrasil.com.br 

Email : samu@festivaisdobrasil.com.br

Diretor do site

(11) 67439718 / 97061800