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Nascido Carlos Gabriel dos
Santos, eu me defino como poeta e compositor. Canto pra
mostrar o que eu faço. Botucatuense, naturalizado paulistano
desde os dois anos de idade. A poesia veio na minha vida,
não sei dizer como. Já a música, acho que influência do meio
em que vivi, quando criança, onde os primos tocavam violão,
pandeiro, cavaquinho, e o batuque ia até altas horas da noite.
O pai, que faleceu quando eu tinha ano e meio de idade, não
cheguei a ver, mas também tocava violão. Fui ver mais tarde o
irmão mais velho tocar violão e compor sambas, e se apresentar
em programas de calouros na TV. O outro irmão, acima de mim,
cantava em coral, tocava cavaquinho e solava Dilermano Reis no
violão e algumas valsinhas. As quatro irmãs mais velhas,
ainda hoje cantam em coral de igreja evangélica. Tudo isso,
nada profissional, verdade, mas essa, acredito, a influência
que tive. Na adolescência vivi a euforia do rock de Elvis
Presley e Little Richard e, em seguida, a loucura da Jovem
Guarda, do iê-iê-iê das tardes de domingo. Eu tinha, então,
que aprender a tocar violão! Só harmonia, fazer acordes. Mas
dava para acompanhar as músicas do Roberto Carlos, Erasmo,
Wandeca, Antonio Marcos, Vanusa, Wanderley e tantos outros.
Em seguida me despertou a atração pela bossa-nova. A batida
do violão, as músicas do Tom Jobim, Vinícius, João Gilberto.
Assim foi, timidamente, apresentação no Colégio, em festa de
fim de ano. Depois veio a passagem saudosa pelas boates do
cais do porto de Santos, no calcanhar dos músicos de um
conjunto de música jovem, para de vez em quando dar um tapinha
numa guitarra, aspirando o som das músicas americanas da
época! De modo que não dá para negar, também, o gosto pelos
Beatles, Bee Gees, Rolling Stones! Depois, o interesse pelas
músicas do Chico Buarque, Caetano, Gil, Milton, Tim Maia,
etc. Em meio a tudo isso, vieram as primeiras composições.
Duas ou três apresentações em programas de calouros, como o da
TV Cultura, por volta dos anos 69/70. Então, já universitário,
as tentativas de colocar músicas nos festivais, fazendo
parceria com um maestro que conhecia. Na década de 80, o
envolvimento maior com a poesia, com um grupo de poetas que se
reunia na Praça Dom José Gaspar, em São Paulo e várias
publicações em coletâneas e jornais de arte. Depois viria o
grande silêncio! O paletó e a gravata, o trabalho burocrático
na área do Direito, em que se formara em 1981, nas Arcadas, o
casamento, a vida em família. Quem sabe o filho, anos mais
tarde, com o seu interesse pelo piano, fez com que, a partir
de 2003, eu tirasse o violão do saco e voltasse a compor. As
mais de cem músicas engavetadas não queria deixar ali mofando
ao sabor do tempo. A minha vontade é divulgar!
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