Nascido José Carlos Bento (48), paulista de Andradina e engenheiro eletrônico, desde muito cedo já demonstrava a sua aptidão musical a partir do primeiro palco no qual adentrou (“Era no banheiro lá de casa!”) e de onde, conta, “infernizava a família e os vizinhos” com a sua infindável seqüência de solos musicais (molhados) dos sucessos sertanejos da época (“Meu banho era, digamos, antiecológico porque durava no mínimo meia-hora. Mas..., era todo musicado!”).

Por uma dessas coincidências do destino, ganhou seu primeiro violão aos 14 anos de idade, numa rifa que comprou durante férias escolares que passava pela primeira vez na casa da irmã mais velha que na época morava em Ilha Solteira. Bento acha interessante que o nome escolhido e sorteado era Mara (mesmo apelido da esposa Smaragda, que conheceria muitos anos depois) e, também, que por motivo profissional, vinte e cinco anos mais tarde se mudaria com a família para essa cidade, na qual ainda residem.

Porém, sua primeira participação em festival foi em 1976, no Festival Estudantil do Instituto de Educação Estadual de Andradina, ficando em terceiro lugar.

Algum tempo depois, faria parceria musical com outro andradinense (Helinho Poeta) e conheceriam o cantor e compositor Gilson de Souza, que os convidou para gravarem um Compacto Simples pela sua gravadora (Tambi Gravações). Lembra de um fato interessante que ocorreu num intervalo dos ensaios no estúdio do Bairro Ipiranga, em São Paulo, em que se descontraía cantando e tocando alguns sambas e um senhor chegou de mansinho e após ouvi-lo, bateu no seu ombro e disse: ESSE MENINO VAI LONGE... CANTA COMO GENTE GRANDE...! “Fiquei envaidecido com o elogio e perguntei pro Gilson: Quem é esse senhor? Você não sabe? É o Jamelão, da Mangueira...! - Ah...! Tá...!”. Porém, antes da gravação, ainda em São Paulo, Bento resolveu abandonar a carreira musical e dedicar-se ao sonho maior que era a engenharia eletrônica.

Sempre munido do inseparável violão, animava as reuniões dos amigos, tanto em Andradina quanto em Lins, onde fez faculdade e nas horas vagas tocava “sem compromisso, nos bares da vida”. Ali teve a oportunidade de tocar com Paulinho Nogueira e conhecer outros artistas nacionais consagrados como Elis Regina, Gonzaguinha etc.

Conhecido no meio universitário pela facilidade com que compunha músicas e paródias, em de maio de 1979, estava cantando “Vandré” numa praia de Salvador, rodeado por milhares de outros universitários de várias regiões do Brasil e que também participariam do Congresso de Reconstrução da União Nacional dos Estudantes, dissolvida durante o Regime Militar, quando foi abordado, ali mesmo, na areia, pela então Diretoria da Entidade. Prá sua surpresa, recebeu o convite que considera um dos maiores elogios e desafios de sua vida musical: compor em menos de vinte e quatro horas um novo hino prá UNE, que simbolizaria o momento de renovação da Entidade após a época da Ditadura. Porém, ao saber que o hino existente era de autoria - nada mais, nada menos – de Vinícius de Moraes e Carlinhos Lira, gentilmente agradeceu e recusou o convite por considerá-lo “desrespeitoso” e no dia seguinte Carlos Lira cantou o hino na abertura do Congresso.

Muito eclético, em 1981 foi campeão do Carnaval de Votuporanga, São Paulo, compondo e puxando na avenida o samba enredo EM BUSCA DO PLANETA
DA ILUSÃO, baseado em enredo cedido por Ziraldo.

Aos vinte e quatro anos de idade (1983), abandonou voluntariamente os festivais para se dedicar exclusivamente aos estudos e trabalho, retornando novamente a esses palcos, somente dezoito anos depois (MPB Ilha Solteira 2001), com a música FONTE TRANSBORDANTE, que foi finalista nacional.

Em 1990, durante estada a serviço em São Paulo, conheceu por acaso o saudoso cantor e compositor João Só,que o convidou para se apresentarem juntos na temporada que o mesmo fazia no Hotel San Raphael, para as Misses do Concurso Miss Brasil Mundo.

Letrista apaixonado, sempre se preocupou em inovar seus trabalhos, procurando apresentar conteúdo musical que estimule a reflexão e enriqueça o conhecimento do ouvinte. Raramente compõe duas músicas seguidas no mesmo gênero musical. Assim o é com seus sambas, baladas, guarânias, chamamés, baiões, sertanejas, polcas paraguaias, MPB etc.

Curiosamente, desde que retornou aos festivais em 2001 e mesmo tendo se classificado em outras localidades, Bento participou somente do Festival MPB de Ilha Solteira, aonde várias vezes chegou à Final Nacional, com músicas feitas em parceria com os filhos Norton e Júnior.

Conta que recebeu influência de diversas tendências musicais e que sempre apreciou artistas de estilos variados como Luiz Gonzaga, Chico Buarque, Elomar, Zé Ramalho, Vinícius de Moraes, João Bosco e Aldir Blanc, Jessé, Clara Nunes, Elis Regina, Paulinho Nogueira, Leomar, Caetano Veloso, Adoniran Barbosa, Ataulfo Alves, Gal Costa, Paulo César Pinheiro, Sidney Miller e, mais recentemente, os ‘Zecas’ Pagodinho e Baleiro, Ana Carolina, Seu Jorge, Adriana Calcanhoto etc.


 

Voltar


 

 

Festivais do Brasil